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26.06.17

Nunca recebi a carta de Hogwarts

por vanita

Vinte anos depois de J. K. Rowling ter criado o universo mágico onde decorre a história de Harry Porter, é com desgosto que admito: sou muggle. Mas apenas em termos práticos, porque nunca recebi a carta de acesso a Hogwarts. Fora isso, todo o meu coração vibra com a mesma magia que uniu Harry, Ron e Hermione em aventuras que fizeram viajar, a mim e a tantos outros, pelas páginas e filmes que dão vida à trama que marca uma geração. Pobres dos que nunca se deixaram levar por esta fantasia. Eu também comecei por rejeitar. Foi só ao quarto livro, quando estreou o primeiro filme, que resolvi dar o benefício da dúvida a esta saga juvenil. Até então, não entendia o fascínio por mais uns livros para crianças. Ou melhor, sempre soube que os ingredientes destas histórias quando agarram, agarram mesmo. E esperava mais do mesmo. Não estava preparada para isto: os livros não eram meramente infantis. As lições, quando são essenciais e estruturais para o bom relacionamento entre os seres humanos, são sempre universais. Mesmo quando se passam em mundos mágicos paralelos como esse a que os Muggles não têm acesso. O bem, o mal e o tão difícil de aceitar cinzento que os une é o mote de sucesso desta história que tantos ainda desconhecem. Da minha parte, acredito que a dita geração Harry Potter, a que cresceu a sonhar com a tal carta de Hogwarts, tem bases para que os seus membros sejam melhores pessoas, mais atentas e conscientes do mundo que as rodeia, mais interventivas e sem medo de dar voz às suas crenças e lutas. E se isto não é de louvar, não sei o que será. Para sempre, J. K. Rowling. PS - continuo à espera da minha carta

publicado às 18:34

23.06.17

Esta coisa de ter cara de miúda

por vanita

Tenho quase 40 anos, trabalho desde os 14, sai de casa aos 18, mudei de residência umas seis ou sete vezes e já passei por muitas áreas de trabalho, muitas reviravoltas da vida e um rol de histórias para contar. O metro e meio com que apresento a cara de miúda que ainda tenho, rouba-me credibilidade. Por lisonjeador que seja uma mulher parecer mais nova, fazem-me falta as experiências que já colhi.Vou fazer uma tatuagem na testa.

publicado às 01:14

20.06.17

O momento crítico de Marcelo

por vanita

Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente de todos os portugueses, bem pode pensar numa forma de recuar no branqueamento que adora fazer de todas as polémicas que vão surgindo. Esta não é, nem pode ser, altura de dizer que "foi feito tudo o que podia ser feito". Estamos de luto, estamos desgastados e angustiados com as notícias e com a realidade. Mas não queremos paninhos quentes. Queremos entender e encontrar soluções. Queremos evitar que uma desgraça destas se repita. A floresta não pode continuar à mercê dos picos de temperaturas mais altas. O país não pode continuar refém desta chaga que todos os anos nos deixa mais pobres. Não, não foi feito tudo o que podia ter sido feito. Mas é bom que se faça. Já. 

publicado às 13:12

18.06.17

Revolta

por vanita

Enquanto vejo os idosos que choram ao mesmo tempo que abandonam as suas casas com dificuldade, assisto ao desespero dos animais no sufoco das cinzas e oiço as histórias de quem se salvou por pouco das chamas que tudo fustigaram em volta, cresce uma revolta sem tamanho em mim. Mesmo que desta vez tenha sido por causa natural, que o início do fogo tenha sido causado com a queda de uma árvore por causa da trovoada seca, mesmo tenha sido essa a origem deste Inferno de Dante, caramba, se o mato estivesse limpo, não tinha tido tanto por onde arder. Não venham com merdas, toda a gente sabe isso. E todos os anos é o pobre povinho, o das aldeias, o que só conta para os votos eleitorais, é o povo que morreu na estrada, o que perdeu os filhos, os netos, as mães, pais, tios e avós, é esse povo que paga. Ano após ano após ano. Não há causas naturais que justifiquem as matas por limpar. Deixem-se de merdas.

publicado às 22:37

15.06.17

Em nome do pai

por vanita

Os filhos de Cristiano Ronaldo são apenas isso: filhos de Cristiano Ronaldo. O "maior português vivo", o homem que leva mais longe o nome de Portugal, pode ter tudo - ou quase tudo - o que quiser. E, talvez por isso mesmo, escolheu ter filhos como produção única. Seria de louvar, não fosse tão absurdo e reflexo de insegurança e falta de confiança no mundo e em quem o rodeia. Começa por ser uma falta de respeito para com as namoradas. Das duas vezes em que "foi pai", Cristiano Ronaldo ignorou o facto de estar envolvido com outras pessoas, em relações que pressupõem planos para o futuro e, em última análise, vidas familiares que se cruzam. Cristiano Ronaldo pode namorar, mas para ter filhos, prefere mandar tratar lá fora, que assim é que tem controlo absoluto sobre questões de futuro, pensões de alimentos ou pressões que não lhe interessam. É triste. É uma falta de consideração com os filhos. Para um homem tão agarrado à família, que tanto lamenta a morte prematura do pai, não se percebe que dispense o papel de mãe na vida dos filhos. Dona Dolores, aparentemente aprova, e isso também me foge ao entendimento. A relação mãe-filhos é única e inimitável, o laço mais estreito que teremos em toda a nossa vida. Cristiano Ronaldo, menino querido da mamã, age como se se bastasse aos seus próprios filhos. Como se o dinheiro pagasse a ausência de uma mãe. Mais uma vez, é triste. É uma falta de respeito com as mães das crianças. Mas quanto a isso, pouco podemos dizer, apesar dessa intuição, uma vez que os termos dos "negócios", nunca foram claros. A maternidade pode ser mais triste do que isto? É uma falta de respeito para com a sociedade e os filhos enquanto indivíduos. Por alguma razão se acabou com a designação "filho de pai incógnito". Por ser demasiado triste. Cada um é livre de fazer as suas próprias escolhas e o mesmo se passa com Cristiano Ronaldo. Privar filhos que podem ter tudo de ter uma mãe parece-me apenas a mais lamentável das escolhas. Triste.

publicado às 19:35

14.06.17

Transbordo

por vanita

Não só fico a saber as vidas de quem aproveita as viagens de comboio para por as conversas em dia como, pasme-se, há casos em que até fico interessada. Pior é quando me apetece dar um palpite. Hoje é a história de uma rapariga que odeia a sogra. Vai a desabafar com a mãe e já todos sabemos que ela "não lhe admite isso". Graças a Deus, a rapariga mantém sempre "o sangue frio. Se não fosse isso!".

publicado às 19:10

14.06.17

The end

por vanita

sitemeter.JPG

É o fim de uma era. Bem sei que o SAPO nunca viu com bons olhos o Sitemeter, mas é o meu menino querido. O único que me dá informações específicas e detalhadas sobre quem aqui vem, de onde vem e quanto tempo por aqui anda. Parecendo que não, é um feedback importante, uma das muletas que me agarra ao público que este pequeno cantinho vai tendo. Bem sei que há alternativas para receber este tipo de dados, mas não são a mesma coisa. Depois da extinção do Google Reader, só mesmo o fim do Sitemeter para que nada seja como antes. Já nem estou no Blogspot há uns bons anos. Parece que é mesmo assim, que a vida é feita de mudança. Que venha ela!

publicado às 17:59

12.06.17

Não ser

por vanita

O que mais custa quando deixamos de exercer jornalismo é deixarmos de ter uma palavra activa na sociedade e no que nos rodeia. Seja pela escolha de um ângulo, pela capacidade de farejar uma história, pela investigação de um dado insignificante, um jornalista de imprensa diária tem nas mãos a capacidade de fazer a sociedade olhar para o que se considera ou não relevante. É óbvio que entram em jogo questões de agenda, editoriais e de enquadramento no meio onde se escreve, mas existe uma capacidade de intervenção que dá mais significado ao cansaço do dia-a-dia: um sentido de missão e de dever cumprido, que acaba por se traduzir em realização pessoal. Ser jornalista é ter uma voz, é ter a capacidade de dar voz a quem a não tem. Nestes quase cinco anos que já levo sem o jornalismo na minha vida, é disso que mais sinto falta. De ter opinião e de a poder fazer valer. Custa despir esta pele. Custará sempre.

publicado às 21:19

09.06.17

A imaturidade dos que não crescem

por vanita

Estou a ler um livro que é uma seca, mas uma seca tão grande que se confunde o com o tédio dos meus dias. Depois sou obrigada a ler textos antigos que escrevi neste blog - já vos contei que anda alguém avidamente a devorá-lo, certo? Adorava saber quem é, apresente-se! - e oscilo entre a vergonha e o espanto. Há por aqui bom material, tenho de reconhecer, mas também há muita imaturidade e falta de experiência. É animador notar o crescimento mas, como disse, também é entediante. Leio agora num dos destaques no SAPO que a escrita precisa de rugas e concordo em absoluto. Precisa, pois. E de experiência e de leitura, de empatia e entrega. Só assim se torna intemporal, tão intemporal como o mendigo mal-disposto do metro, aquele que há mais de vinte anos solta impropérios nas carruagens onde entra. Cruzei-me com ele há minutos e, caramba, feitas as contas, anda cá há tanto tempo como eu. Conheço-o desde que entrei para a faculdade e já foi há um bom par de vidas. E sim, o livro que estou a ler é tão fastioso que prefiro escrever ideias soltas a dar-lhe rédea nestes vinte minutos de comboio até casa. É preciso ganhar rugas para saber o que dizer. Acumular vida e desespero para saber esconder em palavras secas a emoção que agarra o leitor. O livro que estou a ler é uma seca. E não, não vos vou dizer qual é. Para não vos entediar.

publicado às 18:59

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