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18.01.17

Já não vivemos no tempo dos ardinas!

por vanita

Há um problema comum aos dois últimos congressos de jornalistas: a pouca orientação das discussões para encontrar soluções exequíveis e fáceis de por em prática, que garantam uma melhoria quer do jornalismo como actividade quer as condições do jornalista enquanto trabalhador. Em 1998, tinha apenas 19 anos e ainda não era jornalista mas já estava na recta final do curso de Comunicação Social e acompanhei atentamente o decorrer das sessões com a mesma angústia com que o fiz agora. É sabido que estes congressos se regem por determinadas regras e que não é possível abarcar a infinidade de ângulos e questões que se podem levantar quando nos dispomos a analisar um tema. O problema nem é tanto esse, mas mais o facto de este formato acabar por anular a possibilidade de se definirem caminhos e estratégias. Há demasiados convidados, mesas redondas que mais parecem jantares de Natal de famílias alargadas, muita dispersão de dados e números e tanto que não pode deixar de ser dito que acaba por não existir uma linha condutora com vista a um resultado final satisfatório. O jornalismo está a atravessar um período problemático e decisivo. São ridículos os que pensam que a isto não se chama crise mas discuti-lo é desviar o assunto, que foi o que tanto se fez nestes últimos dias. Há uma mudança de paradigma que se quer negar. O jornalismo, tal como o conhecemos, não é viável economicamente por inúmeras razões mas, pasmem, sem lucro, não há empresa que resista, menos ainda com capacidade para sustentar redações e pagar ordenados dignos. Por muito que se preze a distância entre exercício do jornalismo e a actividade económica e comercial que o sustenta, há uma altura em que temos de parar para pensar nisso. E essa altura é agora. Agora que o modelo de negócio em vigor está claramente em falência, agora que a versão em papel dos jornais deixou de responder às necessidades dos leitores, agora que os jornalistas insistem em manter uma estrutura e dinâmica que não se ajusta à procura de informação vigente nos dias de hoje. Por muito que se tente tapar o sol com a peneira, não há como fugir à realidade: os leitores estão na Internet. Obviamente que há muitos e excelentes ninchos de mercado no papel que irão garantir a sua sobrevivência no futuro. A sobrevivência do jornalismo de qualidade, de investigação, feito com tempo e dedicação e muito objectivo, dirigido a grupos muito específicos. Mas isso são ninchos. A conversa global é outra. Há que adaptar as redações e o trabalho do jornalista à procura dos leitores. E a busca dessas soluções deveria ter sido um dos objectivos do congresso da última semana. De que adianta assinalar a precariedade se não se olha para os problemas com atenção? Sim, ganha-se mal e há gravíssimas discrepâncias nas redações. Muitos destes problemas já existiam há quase vinte anos e foram abordados no congresso anterior. Não se conseguem aumentar ordenados e criar melhores condições de trabalho se continuarmos a organizar as redações para o tempo dos ardinas! De que adianta ter jornalistas a fechar páginas para lá da meia-noite, se essas páginas estarão desactualizadas de manhã, quando os jornais forem colocados à venda? A sério, percamos algum tempo a pensar bem nisto. Há uma conferência de imprensa ao fim da tarde: quem é que, devidamente interessado, ainda não sabe o que se lá passou até à manhã do dia seguinte? Nessa altura, interessam-nos reações e contra-reações ao que lá se passou. Um jornal em papel não acompanha esta velocidade dos acontecimentos. É claro que não nos podemos tornar escravos do imediatismo, mas os números das vendas dos jornais estão aí para nos indicar um caminho e mostrar que tratar o online como refugo das redações talvez seja um erro. Digo talvez porque se soubesse a solução milagre para este problema estava rica. Mas era este o tipo de debate que deveria ter existido no congresso de jornalistas. Que soluções podemos encontrar para a falência de um modelo e o advento de uma postura dos leitores que ainda não é economicamente rentável? Qual o melhor caminho para responder ao desafio destes tempos tão cheios de tudo e tão vazios de conteúdos e ideias? Iremos debater novamente a precariedade daqui a 19 anos ou será que o caminho nos leva para soluções que permitem equilibrar as condições de trabalho?

publicado às 20:47

12.01.17

Doze dias já lá vão e amanhã é sexta-feira 13

por vanita

À velocidade de um comboio antigo, sem pressa para chegar, os dias escorrem como areia entre os dedos. Acordamos, dormimos, dormimos e acordamos. Amanhã é sexta-feira 13. E o que fizémos com os primeiros doze dias do ano? Melhor, como escolhemos encarar o que os primeiros doze dias nos trouxeram. Não mudamos a linha nem o caminho que o comboio segue, mas podemos decidir o estado de espírito que levamos. Entre notícias menos boas, um funeral, a certeza de que dificilmente regressarei ao jornalismo, a mesmice de tanta coisa que me irrita mas que não posso mudar, a felicidade de tomar uma decisão a dois, as promessas do ano podem não ser as mais auspiciosas. Mas será mesmo isso que o define? Passaram doze dias e o balão de euforia de ano novo esvaziou-se. Entregamo-nos ao pessimismo do dia de azar e recomeçamos os erros a partir de segunda-feira ou pomos a cabeça de fora, apanhamos ar fresco e apreciamos a viagem? Amanhã é o dia que quisermos que seja. E não, eu não sou o Gustavo Santos. Mas às vezes pareço.

Se calhar escrevo um livro.

publicado às 22:50

12.01.17

De que é que estamos à espera?

por vanita

Um dia a terra cairá em cima das tábuas de um caixão que não escolhemos. E o tempo passa tão depressa, ainda ontem erámos crianças. Um dia deixamos de respirar e todos os nossos cadernos, lembranças e memórias que enchem as gavetas de casa passam a ser lixo sem sentido para as mãos que lhe irão tocar sem recordação de experiências que são apenas nossas. O Natal já lá vai e 2017 avança a toda a velocidade. Um dia alguém chorará a nossa ausência e nunca o saberemos porque já cá não estamos. Ainda acreditamos que hoje não é o dia certo? Um dia será tarde. De que é que estamos à espera?

publicado às 20:20

12.01.17

Congresso de jornalistas

por vanita

Neste primeiro congresso de jornalistas desde há 19 anos há que ouvir o que se diz nas caixas de comentários das notícias que reportam os temas falados. É essa a imagem pública da profissão. Este é o quarto congresso, mas o anterior realizou-se em 1998, ainda eu nem tinha saído da faculdade. Fiz-me jornalista, escrevi milhares de páginas, talvez centenas de manchetes, fui recambiada para casa no fecho de um jornal e tentei persistir. Tenho carteira com número profissional abaixo dos 10000 e mais de doze anos de actividade intensa. Lutei e fui vencida e, durante todo esse tempo, nunca houve um congresso de jornalistas que se propusesse analisar os problemas de quem vive de e para a informação. Que se debatam problemas, procurem soluções, definam caminhos. Que se percam na demanda e voltem a encontrar em novas soluções. Mas que nunca deixem de ouvir o que o leitor tem para dizer. O caminho segue, e seguirá sempre, por aí.

publicado às 15:01

10.01.17

InstaStories: o novo BigBrother Famosos

por vanita

Ainda não vi ninguém a dormir mas também cheguei a isto há pouco tempo, é possível que já tenha acontecido. Com o InstaStories demos a famosos e anónimos o palco da sua própria vida, tal como no ano 2000 abrimos a porta à vida dos comuns mortais, com a estreia do Big Brother, na TVI. O princípio é o mesmo: pelo menos, da parte dos voyeurs. Espreitar pelo buraco da fechadura, observar vidas alheias e, em última instância, identificar semelhanças e pontos de interesse com a nossa própria vida. E é o que se vê, sobretudo em famosos e caras conhecidas. Andam de telemóvel em riste, em constante apresentação a um grupo que valida os seus passos com visualizações, likes e comentários. E o que fazem eles? Comem, vestem-se, fazem desporto e vivem o seu dia-a-dia, mais ou menos vulgar. Fazem tudo isto com o telemóvel na mão, enquanto representam o papel de apresentadores das suas próprias vidas. O maior dos mimos para os fãs, que se sentem cada vez mais próximos e lhes conferem notoriedade, tão necessária como o ar que respiramos hoje em dia. É um mundo fascinante que permite uma mão-cheia de análises e interpretações. Hoje apetece-me apenas deixar uma: não é possível multar à distância? Uma percentagem vergonhosa dos utilizadores destes serviços - o InstaStories é só um exemplo - filma e publica enquanto conduz! E isto, por inacreditável que pareça, parece ser um comportamento aceite por unanimidade, sem qualquer tipo de indignação. Fariam melhor se estivessem a dormir.

publicado às 21:06

06.01.17

E 2017 mostra-nos que...

por vanita

Afinal a blogoesfera ainda está viva. Respira e vive e ri e chora com as vidas alheias e as paixões, dramas e conquistas dos outros. Nada como uma boa novela para animar o pessoal. Seja da vida (ir)real ou não.

publicado às 14:58

03.01.17

Desafio 12 dias

por vanita

Têm estado a aproveitar bem estes primeiros dias do ano? Conta a lenda que cada um dos primeiros 12 dias corresponde aos meses do novo ano. Verdade ou não, nada como dar o nosso melhor e arrancar em 2017 com boas energias. Até porque depois é sexta-feira, 13. Vamos a isso?

publicado às 08:29

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