Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

caixa dos segredos

11
Jan18

The end of the f***ing world


vanita

É com misto de sentimentos que vos digo: vejam a nova série da Netflix, “The end of the f***ing world”. Misto porque, ao mesmo tempo que me apetece espalhar a novidade, queria muito guardá-la só para mim. Esta é uma série juvenil, para maiores de 16 anos, cómico-trágica, com apenas oito episódios de cerca de vinte minutos cada. Perfeita para binge-whatching, ou para ver à hora de almoço, enquanto se devora a marmita. É tudo tão bom que parece mentira. Sabem quando têm de parar a série para passar o Shazam, porque têm mesmo de saber quem toca aquela música? E quando isso acontece em todos os episódios, mais do que uma vez? É o que se passa com esta série, que tem as melhores personagens de sempre, dois adolescentes meio psicopatas e criminosos que não conseguimos deixar de adorar, não dá para ser de outra forma. Vemos o guião desenrolar à nossa frente e pensamos na ternura do filme “Juno”, lembramo-nos das corridas loucas de Bonnie and Clyde, horrorizamo-nos quando percebemos que são mesmo estas histórias de vazio e tristeza que caracterizam o início do século e que é esta ideia de falta de esperança que vamos transmitir a quem olhar para nós daqui a vinte anos. TEOTFW cativa-nos por ser chocante, distópico e, ao mesmo tempo, tão simples e terno, a última palavra que nos lembraríamos de associar a esta história. Estou rendida e na fila para a segunda temporada. Fica a dica.

10
Jan18

A irmandade das vacas


vanita

Há pouco tempo, em conversa com uma deputada, reconhecíamos que o comportamento masculino era bem diferente do das mulheres. Que os homens, como forma cultural e bastante enraizada, vivem numa irmandade que os protege enquanto grupo, por assim dizer. Explicando: quando algum homem conquista um papel de relevância ou de valor, consegue um bom resultado num qualquer objectivo a que se propôs ou se encontra num lugar de destaque, quantas vozes masculinas se levantam para o acicatar, repudiar e questionar a legitimidade do seu caminho ou do que conquista? Não só é elogiado, como aplaudido pelos seus iguais. Claro que tudo isto pode acontecer porque, do lado masculino, a sociedade está de tal forma mais equilibrada que não promove invejas nem comportamentos mesquinhos. Ele conquistou aquele lugar, mas há ali ao lado outro para mim. Aliás, se eu o elogiar, abro portas para o meu próprio caminho da vitória. Sim, isto é verdade, mas também por isto é que devemos parar e olhar melhor para o nosso comportamento enquanto mulheres. Uma multidão gigante de actrizes bem remuneradas, lindas de morrer e com muito poder de fazer passar uma mensagem a nível global, uniu-se por uma causa: vestiram-se de preto por maior dignidade para o sexo feminino, pela igualdade de género, para repúdio de um certo comportamento machista que nos diminui a todas. Ora bem: é porque a Oprah é hipócrita; é porque todas elas são cínicas; é porque nenhuma delas levantou a voz antes; é porque eu sou tão mais à frente que não alinho com manifestações de gentes de Hollywood. Caramba, calem-se de uma vez. O que foi feito é bom. Ponto final. Há que elogiar e nada mais.   

Adenda: e quando escrevi isto ainda não tinha tropeçado na carta que as francesas escreveram e a Catherine Deneuve também assinou. Foi muito aplaudida. Por homens também. I rest my case.

08
Jan18

Irresponsabilidade na estrada


vanita

Ainda não é em 2018 que deixam de se filmar enquanto conduzem? E quando é que as imagens passam a servir de prova de contra-ordenação? Sim, defendo penas pesadas e não apenas monetárias. Se for preciso tirarem-se cartas, que se tirem, mas já é tempo de se por mão neste regabofe.

08
Jan18

Com um pequeno vestido preto


vanita

As grandes estrelas do entretenimento comprometeram-se com uma causa maior. Deram voz à luta contra o assédio e o machismo na gala anual dos Globos de Ouro. Glamorosas, com marcas de alta costura, lindas de morrer e apontamentos de cor nos lábios ou nos brincos, cada uma daquelas mulheres deu força a um movimento que não pode morrer: a luta pela igualdade e pelo respeito e dignidade de todos os seres humanos. Aquilo que pode ser encarado apenas como um conceito de moda, um apontamento sem importância - estamos a falar de roupa! -, ganha a dimensão que lhe quisermos dar. Estas mulheres lutaram com as armas que têm, mesmo que sejam apenas vestidos. Cabe a cada um de nós, dar o seu quinhão para que, num breve espaço de tempo, os abusos e desigualdades sejam tão anacrónicos com o tempo em que as mulheres não usavam calças. 

07
Jan18

Das boas bolas de neve


vanita

Dizem que a página da Rainha de Inglaterra na Wikipédia teve um aumento de milhares de visualizações e atribui-se a culpa à série The Crown, que eu também já devorei. Da minha óptica, parecem-me boas notícias. Se bem direcionado, o entretenimento pode ser uma ferramenta preciosa no sentido de educar as massas. E confesso: fui uma das pessoas que fizeram disparar as visitas à Wikipédia. E não só à página da Rainha, como a de praticamente todos os protagonistas que fazem parte do guião da série The Crown. Mais, em 2018 estreei-me a solo num documentário com seis episódios de quase uma hora. Em dois ou três dias vi The Royal House of Windsor, apenas por vontade de conhecer ainda mais sobre uma realidade que, descobri, afinal pouco sei. E aprendi imenso. Logo no primeiro episódio, percebi as ligações das várias casas reais europeias mas, essencialmente, da estreita relação da monárquica britânica e do papel decisivo na recusa de asilo ao último czar russo, que acabaria por culminar no brutal assassinato de toda a família. E este é apenas um de muitos detalhes que podem fazer a diferença na forma como olhamos para a política actual. A caixa de Pandora foi aberta e agora será sempre uma bola de neve: a da curiosidade da vontade de saber mais.

31
Dez17

Um livro, uma série e um programa de televisão


vanita

O tempo é o que fazemos com ele e, se nem sempre chega para tudo o que queremos, há que aproveitar o possível para o usar da melhor forma. Em 2017 vi muitas séries, li muito menos do que gostaria e tive quase sempre a televisão desligada. Em resumo deixo um livro, uma série e um programa de televisão que valeram mesmo a pena:

LIVRO: “Pedro Páramo”, de Juan Rulfo. Em boa hora surge a reedição deste fabuloso romance. Andava há tanto tempo no seu encalço, mas apenas existiam edições brasileiras, a que nunca consegui deitar mão. Se apenas pudesse escolher um livro para ler, este seria a melhor das opções. Se ainda não leram, leiam.

SÉRIE: Foi dos anos em que acompanhei mais séries, quase todas no Netflix, mas vi poucas novidades, tendo-me ficado pelas novas temporadas das que já sigo. Podia destacar o “This is Us”, uma das melhores descobertas do ano, mas tenho que falar no “The Crown”, que acompanha a família real inglesa. Já devorei as duas temporadas e, só por causa disso, ando a ver um documentário sobre os Windsor. É realmente um tema fascinante e, numa altura em que há tanta informação mas se dedica tão pouco tempo ao conhecimento, nada como uma série histórica que nos estimula a saber mais sobre o mundo que nos rodeia.

PROGRAMA DE TV: Já aqui tinha dito que a costura é o meu novo hobbie. Nem de propósito, a RTP estreou um concurso para costureiros amadores, que se tornou no meu vicio dos últimos tempos. Ao sábado à noite assisto religiosamente ao “Cosido à Mão” e estou cada vez mais fã. Apesar de me faltar a paciência para o género talent show, este em particular, enche-me as medidas com instrução e animação na conta certa. Se gostam de costura e ainda não conhecem, espreitem. Vão adorar.

30
Dez17

Astuta mas muito ingénua


vanita

Hoje acordei com uma revelação. Tive um sonho e, como se o meu cérebro me quisesse dizer algo que eu já devia ter percebido há anos, acordei com a certeza de algo que nunca tinha considerado. Porque sou ingénua e até crédula. Eu explico: a mentira não faz parte da minha postura perante a vida e, por isso, raramente ponho em causa o que as pessoas mais próximas me dizem. Percebi que não é assim para todos e eu, sempre tão astuta e atenta às sensibilidades de cada um, peco por ser ingénua. Percebi isto ao ler o livro de Mário de Carvalho, “Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto”. Muito resumidamente, a parte que interessa aqui contar, diz respeito a um pai que, tendo o filho preso, mente a todos dizendo que ele está emigrado no estrangeiro. Só que, no dia em que se cruza com a ex-namorada do filho no emprego, uma alpinista social sem escrúpulos, que já anda de roda do patrão, pede-lhe, por favor, que não comente a situação do filho por ali, ao que ela responde, coração nas mãos, que nunca o faria. Nesse mesmo dia, o patrão chama este empregado e pede-lhe que faça uso da presença do filho em determinado país para dar avanço a uns papéis necessários para a empresa. E é aqui a que ingénua Vanita entra: eu acredito que isto, por muito estranho que pareça, é apenas uma insólita coincidência. Acredito piamente nisso. E sou parva: é o próprio narrador que confirma a traição da alpinista, “tal como todos os leitores já tinham previsto”. Pois, astuta mas muito ingénua, é o que sou. Hoje o meu cérebro juntou dois mais dois e percebi uma história com anos. Mentiram-me e eu acreditei. Mas já percebi a verdade e essa revelação ninguém me tira.

30
Dez17

Um ano de equilíbrios


vanita

88576E3A-0F6C-4382-9469-7488C4D06E79.jpeg

Dizem que os primeiros doze dias do ano ditam os doze meses que se seguem. Quando 2017 começa com um funeral, já sabia que os próximos tempos não agoiravam nada de bom. Não que seja supersticiosa, mas porque a vida é feita de equilíbrios: depois de um ano tão mágico como o de 2016, tinha de aguardar o reajuste do universo. O ano que agora termina trouxe mortes, hospitais e doenças para os que me rodeiam e nenhum ano com estas palavras acaba com balanço positivo. Ainda assim, foi um ano conseguido: realizei algumas das minhas resoluções de ano novo, o que penso ser uma estreia. Adoptámos uma cadela que faz as delícias dos nossos dias, compramos a nossa própria casa (!) e consegui dedicar tempo útil à costura, o meu novo hobbie. Não fiz exercício físico, dedicámos os três primeiros meses do ano a um projecto que nos roubou muitas horas extra e que, depois de tanto sacrifício, nunca chegou a ver a luz do dia. Ia ser o meu primeiro livro, a dois. Fiquei três semanas (ia jurar que foram meses) sozinha em casa com uma cadela de quatro meses e foi a grande prova de fogo da minha resistência: houve uma altura em que pensei que não ia conseguir sair ilesa desta experiência, o que me faz dar ainda mais valor às mães solteiras ou às que, mesmo sendo casadas, não têm qualquer ajuda no dia-a-dia. Fomos a São Miguel no Verão e só lamento não ter ido antes (e que as viagens para as nossas ilhas não sejam mais acessíveis). Rebentei de orgulho quando o meu homem recebeu o prémio de jornalista revelação do ano. Senti o chão fugir dos pés quando a palavra cancro quis dar o ar da sua graça em 2017, felizmente, o ano termina com uma substituição de peso pela palavra curada. 2017 é um ano de equilíbrios: não é um ano bom, mas não posso dizer que tenha sido mau.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D